História da Fábrica da Baleia de Porto Pim

A Fábrica da Baleia de Porto Pim começou a ser construída em 1941 e em 1942 começou a laborar em fase experimental. A sua proprietária era a SIMAL – Sociedade Industrial Marítima Açoreana, Lda., constituída em 1939, e tinha como objectivo a “exploração da indústria do aproveitamento integral da baleia e outras espécies marinhas e comércio dos respectivos produtos”. Durante os 30 anos de laboração, processaram-se 1940 cachalotes que produziram 44 mil bidões de óleo. Em 1974, acompanhando o declínio mundial da indústria baleeira, a fábrica fechou as suas portas. Em 1980 o Governo Regional dos Açores adquiriu todo o complexo fabril com objectivo de ali instalar o Departamento de Oceanografia e Pescas e uma Escola de Pesca, desígnio que nunca se chegou a realizar. Em 1984, a antiga fábrica foi classificada como Imóvel de Interesse Público (IIP). Depois de quase duas décadas de degradação do edifício e da sua maquinaria, sem dúvida atenuadas pela acção persistente de Manuel da Rosa Correia (Patrão Manuel), e de Manuel Medeiros (Sr. Amaral), a fábrica foi finalmente alvo de obras de restauro e de beneficiação. O Centro do Mar foi inaugurado em 2000, com o objectivo de se tornar num núcleo museológico de divulgação cultural e científica. Desde 2004, que a Fábrica é a sede do Observatório do Mar dos Açores (OMA), que desde então tem vindo a dinamizá-la. Em 2010, a Fábrica da Baleia de Porto Pim foi inserida no Complexo monte da Guia do Parque Natural da Ilha do Faial.
Fábrica da Baleia de Porto Pim


A Fábrica da Baleia de Porto Pim, integrada no Parque Natural do Faial, é um complexo industrial que se situa na parte sudoeste da Baía Porto Pim, na encosta do Monte da Guia. Com cerca de 7000 visitantes por ano, a Fábrica da Baleia mantém-se como um dos melhores exemplares da extinta indústria baleeira açoriana, essencial para a compreensão histórica, económica e social dessa actividade. A exposição permanente da Fábrica da Baleia de Porto Pim conta praticamente com toda a sua maquinaria original. Na fábrica segue-se o percurso do processamento integral do cachalote para obtenção dos subprodutos comerciais (óleo de toucinho e aproveitamentos de farinhas de carne, ossos e sangue). A Fábrica integra ainda um vasto espólio resultante da intensa actividade baleeira que se praticou no Faial no século XX.


O núcleo museológico está aberto à visitação pública e o OMA organiza visitas guiadas.




Outros espaços

A Sala dos Óleos, espaço anexo ao edifício principal com acesso pelo pátio principal, era o local onde se armazenava o óleo em 8 tanques subterrâneos.Hoje em dia funciona como sala multi-usos.

Na Loja da Fábrica encontra produtos temáticos ligados à Fábrica da Baleia de Porto Pim e ao Património Baleeiro, bem como ao Mar dos Açores - posters da biodiversidade marinha da região, livros, gravuras, puzzles, T-shirts, DVDs, entre outros.

O Património da
Reis & Martins, Lda.

A exposição permanente da fábrica encontra-se actualmente complementada com o espólio baleeiro das antigas armações baleeiras do Faial, pertencente à Reis & Martins, Lda. Esta exposição resulta da parceria que o OMA estabeleceu em 2008 com a Reis & Martins, Lda. com vista a salvaguardar, estudar e inventariar o património baleeiro existente na posse daquela empresa. Este projecto foi impulsionado por um dos herdeiros deste espólio, Tomás Duarte, que entendeu a importância do mesmo para o estudo da baleação no Faial e nos Açores. O espólio inclui espaços (os antigos Armazéns da Rua Nova), equipamentos (botes baleeiros, lanchas, ferramentas de construção e manutenção naval, etc.) e o arquivo documental das antigas armações baleeiras faialenses que operaram na ilha do Faial durante a fase industrial da baleação açoriana (1940-1984). Em 2009, a Direcção Regional da Cultura (DRaC) financiou este projecto por considerá-lo de relevante interesse para a Região.

Pretende-se com o mesmo chamar a atenção para a preservação de um património que é testemunho da história da região, facilitar e permitir o estudo da baleação no Faial e contribuir para aprofundar o conhecimento histórico e económico da indústria baleeira na região.





Exposição Permanente

A exposição permanente da Fábrica da Baleia de Porto Pim conta praticamente comtoda a sua maquinaria original. Na fábrica podemos ver os vários espaços onde decorriam as várias fases do processamento integral do cachalote para obtenção dos subprodutos comerciais (óleo de toucinho e aproveitamentos e farinhas de carne, ossos e sangue), muito procurados até aos anos 60 do século XX.

Sala Patrão Manuel. Localiza-se no andar superior da Casa das Autoclaves e apresenta as tampas dosautoclaves por onde era introduzido o toucinho para extração do óleo. De momento este espaço aloja um esqueleto real de cachalote e reúne informações sobre a biologia e morfologia da espécie processadanesta fábrica.

Casa das Autoclaves. Espaço onde se encontram asseis autoclaves onde se procedia, por acção do vapor, à extracção do óleo de baleia.

Casa das Caldeiras. Espaçoonde se encontramas duas imponentes caldeiras a vapor, testemunhos únicos e exemplares do funcionamento da indústria a vapor.

Plataforma de desmancho e rampa de varagem. Espaço exterior onde se procedia à primeira fase do processamento do cachalote: o desmancho. Destaca-se a chaminé das Caldeiras a Vapor, que contém no topo as iniciais da antiga proprietária –SIMAL.

Casa das Farinhas. Espaço onde se encontra toda a maquinaria original da reconhecida marca norueguesa Myrens Verksted e os motores da marca alemã Motoren Fabrik Deutz AG. Este mecanismo de produção de farinhas era automatizado e contínuo, sendo para a época uma tecnologia avançada.

Túnel do Carvão. O antigo Túnel do Carvão serviacomo espaço de armazenamento do carvão e madeiras para alimentação das caldeiras e assume agora as funções de Galeria de Exposições Temporárias, onde se acolhemdiferentes exposições com uma periodicidade semestral.

Núcleo Museológico de
Arqueologia Industrial

Em Maio de 2008, o OMA criou um núcleo de museologia assente na Arqueologia Industrial, tendo como objectivos a salvaguarda, estudo e divulgação do património baleeiro do Faial. Este processo decorreu de forma natural e resultou do facto de o OMA estabelecer, em 2004, a sua sede na Fábrica da Baleia de Porto Pim e, desde então, desenvolver actividades de dinamização e divulgação do espaço.

O núcleo museológico tem os seguintes objectivos:
• Desenvolver estudos e produzir edições, debates e exposições sobre a história da baleação nos Açores, em particular no Faial;
• Preservar e valorizar o património existente;
• Participar na museografia das infra-estruturas e equipamentos da Fábrica da Baleia;
• Dinamizar a exposição permanente do núcleo museológico da Fábrica da Baleia (visitas guiadas, edição de informação, etc.).